O VW Tiguan tem, pela primeira vez, na lista de “opções” o motor 1.6 TDI de 115 cv.  À venda apenas com tração dianteira e caixa manual de seis velocidades, este Tiguan faz-se pagar pela imagem que a marca tem ganho ao longo dos anos. Será suficiente?

A segunda geração do VW Tiguan, lançada no início deste ano ganha, finalmente, o motor mais condizente com a aberrante fiscalidade automóvel portuguesa. Assim, a introdução do1.6 TDI de 115 cv permite baixar um pouco o preço deste SUV (7 mil euros face ao 2.0 TDI de 150 cv), logo promete mais vendas nesta nova fase do seu ciclo de vida. O Tiguan é um dos SUV mais “quadrados” do segmento em termos de design, mas isso não quer dizer que não seja moderno. Inserido na sequência das novas linhas estilísticas do Grupo de Wolfsburgo, o novo Tiguan é robusto e faz lembrar um Touareg em ponto pequeno, por culpa de detalhes como a grelha dianteira ou o capot proeminente. Em todo o caso, os engenheiros da Volkswagen estão conscientes que o cliente de um SUV não procura apenas um automóvel para se sentar numa posição mais elevada, mas também para poder usufruir de alguma distinção e mais espaço. E pensando que este Tiguan tem de lutar com uma lista de SUV que não tem fim, desde modelos que arrasam e são autênticos best-seller, como o mais famoso da praça, o Nissan Qashqai, ou contra os que mais têm aproveitado esta moda, como os coreanos, que se apresentam com descontos estratégicos impossíveis de combater, a VW, ainda assim, preferiu diferenciar-se, colocando o seu Tiguan entre um generalista e um premium. Basta entrar no novo SUV da VW, mesmo nesta versão Confortline de nível intermédio, para perceber que não falta a habitual qualidade de construção, com os detalhes cromados no tablier, as bolsas nas portas generosas com materiais antiderrapantes ou o toque suave dos plásticos desde a parte superior do tablier à zona inferior. O próprio volante de três raios tem as dimensões certas e uma boa pega. A utilização da plataforma MQB A2 na sua base permite que ofereça muito espaço para ocupantes e respetivas bagagens e, mais além da sensação de espaço que, de facto, proporciona, existem detalhes que nos levam a constatar que este SUV está entre os mais amplos do segmento como os 520 litros de espaço que disponibiliza na mala ou a possibilidade de regular longitudinalmente o banco traseiro em 18 cm. Mas, o que realmente interessa é perceber até que ponto o motor 1.6 TDI de 115 cv consegue levar a bom porto os quase 1500 kg de peso. Não sabemos se pelo facto de a unidade ensaiada ter pouco quilómetros, mas em situações de pára-arranca a tendência para o sistema “stop & start” se baralhar, ligando e desligando o carro sem grande nexo, foi grande. Ainda assim, o 1.6 TDI mostrou ser cheio a partir das 1800 rpm, relativamente rápido e pouco ruidoso. As acelerações estão dentro dos valores anunciados, mas no caso das recuperações, o recurso à caixa de velocidades é recorrente, afinal não se pode ter tudo, ainda assim, não “corta” a fluidez de condução. A caixa é precisa e direta, com um “feeling” de passagens tipicamente Volkswagen, logo fluído e suave, e explora bem as valias do motor. Dinamicamente, o Tiguan tem qualidades para acompanhar o desempenho de um motor mais potente. Não será um desportivo puro, mas curva depressa, é seguro e dá gozo. Pena o ESP ser castrador, atuando assim que sente qualquer deslize dos eixos. Onde o SUV da VW também não fica mal na fotografia é no conforto. A unidade ensaiada conta com jantes de 17”, as mais pequenas que se podem ter neste modelo, e pneus de perfil elevado, que se revelaram indicados para o conforto e a suavidade com que se viaja dentro do habitáculo, mesmo em piso degradado, sem ressonâncias ou vibrações e trepidações.

Em suma, o motor 1.6 TDI é um bom catalisador para impulsionar a carreira comercial do Tiguan, mesmo que o preço arranque já depois dos 33 mil euros para a versão base Trendline.

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