Sandro Meda

Corrente pichada

A partir da página 38, o Paulo Marmé explana os factos que aumentaram o preço dos combustíveis em 20 vezes a inflação, confrontando-os com a descida contínua do custo do petróleo. Chama paradoxo à repulsa de lógica, mas facilmente se nota que as decisões têm pouco de racional, e ainda menos de misterioso. O governo, mais outra vez, precisa do dinheiro para justificar/pagar outras medidas políticas. Não interessa neste ponto discuti-las, nem sequer abordar o chorrilho de mentiras e de incompetências que acabam amortecidas com os fundos sacados a tudo o que tenha alguma coisa a ver com o automóvel: principalmente as fontes diretas de receita, como os combustíveis. Apenas me apetece dar um esticão ao assunto. Enquanto o mundo cavalga alegremente na direção da mobilidade elétrica, e ainda que por agora fiquem na secção dos “fait divers” questões como a da futura necessidade maciça de eletricidade, a sua origem e (sobre)carga na distribuição; importa adivinhar até que ponto alguns governos, como o nosso, mestre nestas coisas, conseguirá compensar a descida do consumo e das receitas esticando a carga fiscal sobre os combustíveis com a contínua passividade dos consumidores? O que lhe parece razoável: mais 100% sobre o preço do petróleo? 200%? Faz sentido pensar num limite? Aliás, nesta realidade antagónica, é curioso ser a linha governamental que mais atacou o setor automóvel, com as maiores penalizações da história da fiscalidade portuguesa, com o destacadíssimo esquema falacioso do IUC-ISV criado em 2007 à cabeça, sem nada fazer, receber os louros dos recordes em receita da produção automóvel tradicional no nosso país. Com a transferência das compras para os elétricos, de onde virá a imaginação fiscal para sustentar o tanto que hoje só despende do setor tradicional que tanto detrata?

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